Vivemos em um tempo de busca incessante pelo milagre, pelo mover sobrenatural, pela evidência palpável da presença de Deus. Ansiamos ver o impossível acontecer, testemunhar curas, rompimentos financeiros e restaurações familiares. Desejamos ardentemente o "fruto" do avivamento, mas, com muita frequência, relutamos em abraçar o caminho que leva à Fonte desse poder: a oração profunda e intencional.
O primeiro desafio que enfrentamos, como cristãos, é a tendência sutil e perigosa de terceirizar nossa vida de oração. Quantas vezes, ao nos depararmos com uma nova estação, uma decisão importante ou um sofrimento agudo, nos movemos sem antes ter tempo com Deus, esperando que a oração alheia — a intercessão do pastor, da mãe ou de um grupo específico — supra a necessidade que nós mesmos deveríamos levar ao Pai?. Recebemos mensagens pedindo que oremos por motivos que a própria pessoa que pede negligencia em seu secreto. Essa atitude nos coloca na posição de consumidores da fé, e não de filhos participantes do Reino. Tornamo-nos clientes em vez de parte integrante do corpo da Igreja, dispostos a assistir aos milagres, mas incapazes de liberar qualquer um em nossa própria vida.
O risco de quem negligencia a oração é o de caminhar na escuridão, tateando e tentando encontrar um caminho, sem a direção clara que Deus já revelou por meio do Seu Espírito. Quem não ouve os céus consulta profetas como se fossem videntes, buscando migalhas de uma palavra no púlpito, pois não nutre o tempo secreto durante a semana. Essa distância do secreto nos torna reféns das circunstâncias e nos deixa vulneráveis aos temores do futuro, do inferno e dos levantes do inimigo. A Bíblia nos assegura, contudo, que aqueles que ouvem os céus são inabaláveis, ousados como um leão, capazes de declarar com autoridade, mesmo andando pelo vale da sombra da morte, que mal nenhum temerão.
O silêncio aparente de Deus, que tantas vezes nos angustia, pode ser, na verdade, apenas a resposta para a nossa passividade e inação. Somos passivos até mesmo quando precisamos de um milagre. O evangelho nos mostra que o cego, ao ser comprimido e silenciado pela multidão, gritava mais alto para o Único que poderia mudar sua história. A investida do Inferno contra o crente precisa ser respondida com um clamor mais forte.
A Oração na Perspectiva de Jesus
Para entendermos o poder da oração, precisamos olhar para o Mestre. Jesus, o próprio Verbo encarnado e a manifestação da Palavra, modelou uma vida de oração constante. Ele orou antes e depois de grandes movimentos, em desertos, em momentos difíceis, e até mesmo quando tudo ia bem. Seu poder sobrenatural não era a causa de Sua vida de oração, mas a sua consequência.
O propósito da oração não é meramente informativo. Deus sabe o que precisamos antes de falarmos com Ele. O que nos move a falar com Deus é a necessidade de expor nossa dependência ao Único que pode suprir nossas necessidades. A oração é, antes de tudo, um ato de humildade.
O grande poder da oração, o seu impacto mais transformador, é que ela nos torna mais parecidos com Jesus. É na oração que algo nosso é tirado e algo Dele é colocado. Nela, o homem sanguíneo se torna mais paciente; o escasso, mais generoso. A oração gera quebrantamento, pois é impossível permanecer inflexível na presença do Deus todo-poderoso. Na presença de Jesus, nos rendemos e nos tornamos vulneráveis, e é essa rendição que precede o sobrenatural.
O modelo de Jesus alcança seu ápice no Getsêmani, um dos momentos mais angustiantes dos Evangelhos, onde o Mestre, vulnerável a ponto de transpirar sangue, busca a vontade do Pai, declarando a suprema rendição: "todavia, não seja como eu quero, Mas como tu queres". Essa é a oração que busca o alinhamento com a Palavra do Pai. A oração eficaz é aquela que busca o discernimento e a obediência à Palavra, rejeitando conselhos que apenas fazem sentido humano e movendo-se por promessas que foram feitas pela boca de Deus.
A Oração Como Ponte entre a Razão e a Revelação
Para o público cristão, é vital que o poder da oração seja fundamentado não em misticismo exagerado, mas em uma fé racional e profunda. O renomado apologista cristão C. S. Lewis, que converteu-se do ateísmo à crença, demonstrou que a fé é intelectualmente defensável. Lewis argumentou que a Lei Moral, essa percepção universal de certo e errado entre os seres humanos, é uma pista fundamental para o sentido do universo e a existência de um Autor dessa Lei. Um místico, como Lewis, compreendeu que o domínio de Deus se encontra no mundo espiritual, um campo que não pode ser totalmente esquadrinhado pelos instrumentos da ciência, mas deve ser examinado com o coração, a mente e a alma.
Essa síntese entre fé e razão é defendida pelo Dr. Francis S. Collins, um cientista geneticista que liderou o Projeto Genoma Humano, ao afirmar que a crença em Deus pode ser uma opção completamente racional e que os princípios da fé são complementares aos da ciência. Collins, que encontrou veneração no processo de mapear o genoma, viu a ciência (o estudo da natureza) e Deus (o domínio espiritual) como harmoniosos. Ele adverte, seguindo o conselho de Santo Agostinho, para não cometermos o erro do "Deus das lacunas", ou seja, evocar o divino apenas onde a ciência ainda não tem explicação. A verdadeira fé não tem medo da ciência, pois Deus, o Criador do universo, não pode ser ameaçado por nossos esforços para compreender Sua criação.
A verdadeira fé, portanto, é o que o crente sabe no mais íntimo do seu ser, uma certeza que resiste à dúvida (a qual, segundo alguns, é um elemento inevitável da crença). A oração, nesse contexto, é o ato de acessar conscientemente essa verdade inabalável.
Oração como Estado de Ser e Criação Deliberada
O objetivo supremo da oração é nos levar ao alinhamento com a vontade e o poder de Deus. A Bíblia nos chama a nos aproximarmos de Deus, prometendo que Ele se aproximará de nós. Esse ato exige mais do que um pedido casual; exige uma postura de fé.
A oração eficaz, portanto, é um estado de ser que alinha o crente com a vontade de Deus, permitindo que o poder do alto se manifeste na terra. Essa plenitude vem do gasto de tempo no secreto, que gera uma resposta pública do Senhor.
Isso se manifesta na nossa capacidade de profetizar a realidade, ou seja, de usar a palavra com autoridade espiritual. Devemos, a partir do nosso tempo de oração, parar de chamar as coisas como elas são e começar a profetizar como elas serão. Isso é fé: trazer o futuro para o seu presente. É falar o que Deus fala, pensar como Deus pensa e ver o que Deus está vendo.
O homem de oração caminha pela direção do Espírito de Deus, movendo-se com assertividade, convicto de que a Palavra liberada por Deus sobre ele vai acontecer. Esse é o governo espiritual que a oração proporciona: a intercessão, onde o crente ouve os céus e comunica à terra o que ninguém mais ouviu, obtendo discernimento de tempos e estações.
O Senhor nos diz que Há Poder na concordância da oração dos justos, há poder no nome de Jesus. Não podemos sustentar as promessas de Deus para nossa casa ou liberar o destino de nossos filhos sem carregarmos uma vida de oração.
A nossa proposta, neste artigo, é mergulhar na profundidade dessa disciplina, resgatando a oração da passividade e do sentimentalismo, e entendendo-a como o caminho inegociável para a transformação pessoal e a manifestação do poder de Deus. Não existe alternativa; a busca da plenitude exige que oremos em tempo e fora de tempo.
Quanto mais profunda é a sua vida de oração, mais extraordinário vão ser os seus testemunhos. Este é o chamado: sair da passividade, abraçar o quebrantamento e a dependência, e clamar até que a resposta venha, crendo que Deus ouvirá dos céus e mudará nossa sorte.
Oração como Dependência e Transformação
Ao longo da história da Igreja, a oração tem sido rotulada de muitas formas: intercessão, petição, louvor, súplica. Contudo, em sua essência mais profunda, a oração não é primariamente uma lista de compras entregue a um Deus distante. O poder da oração não reside na força de nossas palavras ou na coerência de nossos argumentos, mas sim na sua capacidade de transformar o indivíduo que ora, alinhando-o com a Fonte de todo o poder.
Não para Informar, mas para Expor a Dependência
O Criador de todas as coisas conhece nossas necessidades antes mesmo que as palavras cheguem à nossa boca. Ele sabe o que precisamos antes que o falemos. Se Deus é onisciente, por que Ele nos pede para orar?
A oração, nesse sentido, não serve para informar a Deus, mas para expor a nossa dependência a Ele. É um ato de humildade onde reconhecemos nossa limitação. Quando nos ajoelhamos, ou simplesmente aquietamos a alma, estamos declarando: “Eu não posso fazer isso sozinho. Preciso da Sua sabedoria, da Sua intervenção, da Sua força.”
Nosso impulso de buscar a oração em momentos de angústia não é fraqueza, mas um instinto de autopreservação. É o reconhecimento de que, fora da comunhão com o Eterno, somos vulneráveis. O propósito de falar com Deus é expor nossa vulnerabilidade e a convicção de que Ele pode todas as coisas.
Tornando-se Semelhante a Cristo: O Grande Poder da Oração
Se a oração não é apenas sobre o que pedimos, é sobre quem nos tornamos ao orar. O grande poder da oração é que ela nos torna mais parecidos com Jesus. É na presença do Altíssimo que o orgulho e a teimosia humana se quebram.
Na oração, algo grandioso acontece no reino espiritual, algo que o pregador chama de uma "troca divina": Deus “tira algo meu e coloca algo dele”. É um processo de lapidação da alma. É impossível permanecer inflexível ou arrogante na presença da santidade de Deus; somos quebrantados.
O caminho da transformação, no entanto, não é fácil. Envolve a superação do ego e do julgamento prévio, pois esses sentimentos não são adequados para a criação (ou transformação). Nossa tendência é focar no que falta ou no que está errado. Mas, para que a oração opere a transformação, devemos nos render ao princípio inato da harmonia que reside em nós. É preciso expor a Lei da Lei Moral inscrita em nossos corações, essa bússola interna do certo e errado, que aponta para a existência de um Autor, Deus. A oração é a ferramenta que nos conecta conscientemente a essa Lei e a esse Autor.
O Governo e o Discernimento: Intercessão e Alinhamento
A oração nos leva a uma posição de governo espiritual. É no secreto que o discernimento é forjado e a direção é recebida. O homem de oração não é refém das circunstâncias.
O verdadeiro poder da oração eficaz, o chamado para a intercessão, envolve ouvir os céus para comunicar à terra. Não se trata de impor nossa vontade, mas de ouvir a "linguagem de Deus" — o Logos — que se revela em nosso interior. O intercessor se move entre o céu e a terra, atraindo o sobrenatural.
Como líderes de nossa própria experiência de vida, devemos reconhecer que temos a capacidade de direcionar nossos pensamentos. O que você foca se torna sua realidade. Portanto, o tempo de oração deve ser usado para parar de chamar as coisas como elas são e começar a profetizar como elas serão. Você deve começar a trazer o futuro para o seu presente. Se Deus te deu uma palavra, você deve fazer "sonhos maiores do que você tinha antes da crise" e avançar com essa convicção.
A oração se torna, então, uma Criação Deliberada, uma postura na qual o crente não apenas deseja, mas conscientemente estabelece a atração do que quer. Você é um “ímã mental e espiritual” que atrai todas as coisas que o abençoam.
Em essência, a oração é o processo pelo qual o crente:
- Identifica o desejo (o pedido).
- Alcança o alinhamento vibracional com o desejo, o que significa permitir o bem-estar que é natural e já foi concedido por Deus.
O alinhamento é o segredo do governo. Se Deus abre uma porta, ninguém a fecha. Você deve ter fé no Princípio da Vida, que está sempre voltado para o bem. É um ato de Permissão que nos coloca no modo de receber o que pedimos.
A Ponte Racional: Fé e o Design do Criador
Para que essa fé seja sólida, ela precisa ser inabalável, não temendo o escrutínio. O Dr. Francis S. Collins, que liderou o Projeto Genoma Humano, exemplifica como a fé e a ciência (razão) podem ser complementares, e não inimigas.
Ao decifrar o manual de instruções humano, o genoma de 3 bilhões de letras, Collins expressou admiração pela complexidade e elegância matemática da Biologia, que aponta para um Design. Ele afirma que a crença em Deus é uma opção completamente racional. A complexidade irredutível da vida (como a estrutura das proteínas do flagelo bacteriano) é um argumento que sugere a ação de um planejador inteligente. O estudo da natureza por meio da ciência revela a complexidade da criação de Deus.
O cientista cristão adverte contra o erro de evocar o divino apenas para preencher as lacunas onde a ciência ainda falha, o chamado “Deus das lacunas”. Em vez disso, a ciência, ao desvendar a beleza e a ordem do universo (como a precisão das leis físicas que possibilitaram o carbono e o oxigênio necessários à vida), deveria nos levar a mais, e não menos, admiração pelo Criador.
A oração, portanto, é a conexão intencional com a Inteligência Infinita que criou e sustenta esse universo perfeitamente ordenado. Quando o crente ora, está acessando o poder da sua mente subconsciente, que é uma parte dessa Inteligência Infinita, a Lei da Fé. Quando você pensa corretamente, está em harmonia com a inteligência e o poder do subconsciente, que é sempre voltado para a vida.
A profundidade de sua vida de oração está diretamente ligada à manifestação extraordinária de seus testemunhos.
O Modelo Inegociável: A Vida de Oração de Jesus
Se a oração é o princípio mestre que nos transforma em dependentes e, consequentemente, em governadores espirituais, o nosso modelo inegociável é, sem dúvida, Jesus Cristo. A vida do Mestre não apenas ensinou o poder da oração, mas o demonstrou em cada estação de Sua jornada.
O público cristão frequentemente busca o poder sobrenatural, mas é fundamental compreender que o poder que operava na vida de Jesus não era a causa de Sua vida de oração; era a sua consequência.
O Poder como Consequência e a Preparação Silenciosa
O ministério de Jesus na Terra foi uma série de eventos públicos extraordinários: curas, milagres e ensinamentos que moldaram a civilização. Contudo, a Bíblia é notavelmente silenciosa sobre um longo período de Sua vida, abrangendo os anos de Sua infância e juventude até o início de Sua missão. Essa ausência de detalhes sobre Sua preparação na juventude, no entanto, não significa inatividade.
Os registros místicos e antigos sugerem que Jesus (ou José, como era chamado) passou por um extenso período de preparação e estudo. Ele não era um Mestre que surgiu do nada. Desde a escola no Carmelo, onde Ele demonstrou ser bem educado e incomumente vivido, até viagens para o Oriente, como Benares, na Índia, e possivelmente Lassa, no Tibete, Ele dedicou tempo a um estudo completo de religiões e ensinamentos antigos.
A chave desse treinamento, que o levou a um rápido desenvolvimento de Sua mente e a uma maravilhosa compreensão das leis Cósmicas, não estava apenas na leitura de manuscritos, mas em como Ele os assimilava. Jesus estabeleceu um sistema de Entrada no Silêncio (meditação), onde Ele recebia os princípios mais elevados por inspiração. Seu desenvolvimento da capacidade de curar era, inclusive, um dos testes no exame final para Sua missão.
Para o crente, isso ensina uma verdade vital: o poder público (os milagres) é precedido pela preparação secreta (a oração e o alinhamento com a Fonte). Antes de lançar a base de Seu trabalho e escolher Seus Apóstolos, Jesus teve de passar pelos testes e tribulações da iniciação mais elevada. Ele estava Divina e Cósmicamente predestinado a cumprir Sua missão, mas, ainda assim, submeteu-se ao processo de preparação.
Oração e Decisão: O Alinhamento Antes da Ação
A oração de Jesus nunca foi um apêndice, mas o ponto de partida para Suas decisões mais cruciais.
Quantas vezes nós, em nossa pressa e autossuficiência, ousamos nos mover, assinar contratos ou tomar decisões de vida sem que Deus tenha falado?
Jesus, o próprio Verbo (Logos) encarnado, não tomava grandes decisões — como escolher Seus discípulos ou iniciar novos movimentos — sem antes buscar o Pai. Ele estava em tal alinhamento vibracional com o divino que Suas palavras e ações eram uma extensão natural da vontade de Deus.
A oração, nesse contexto, torna-se um ato de governança. O Mestre Jesus, ao instruir Seus seguidores, enfatizava a necessidade de se organizar, de se desenvolver segundo as harmonias inscritas nas estrelas. Ele não queria "escravos de uma matemática celeste", mas "amantes de suas leis", pois essas leis são, antes de tudo, harmonia por toda a eternidade.
A Vulnerabilidade e a Rendição no Getsêmani
Não há cena que demonstre mais a profundidade da necessidade humana de oração do que o Getsêmani.
Foi um momento de angústia mortal, onde Jesus, o Avatar, o Messias, sentiu a pressão da dualidade. Embora Ele tivesse em Si o Logos (o Verbo), Sua oração não foi um pedido de intervenção fácil, mas um ato de suprema rendição: “todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”.
A oração no Getsêmani revela que o caminho mais elevado de oração não é a imposição da nossa vontade, mas a busca pelo alinhamento perfeito com a vontade do Pai. O poder de Jesus residia não em Sua capacidade de manifestar o que Ele queria, mas em Sua capacidade de se tornar um veículo puro para o poder ilimitado do Kristos (o Cristo Cósmico), o qual Ele tinha recebido após longa preparação.
A história completa de Sua vida e paixão, preservada nos arquivos da Grande Fraternidade Branca, trata o Getsêmani como um momento crucial que leva à Sua transição de Mestre Divino para Mestre humano, culminando na Ascensão.
Os Princípios Fundamentais: Oração em Ação
O cerne do ensinamento de Jesus sobre a oração reside na sua aplicação prática e constante, refletida no Pai Nosso e em Seus ensinamentos.
A) A Linguagem da Emoção e a Certeza da Resposta:
Jesus ensinou uma linguagem poderosa para escolhermos qual realidade queremos dentre as infinitas possibilidades. A chave reside no sentimento.
- O sentimento é a linguagem que "fala" com a Matriz Divina.
- Devemos nos sentir como se nossa meta já tivesse sido alcançada e nossa oração respondida.
- Uma tradução das orações aramaicas (a linguagem dos essênios) nos instrui a: "Peça sem motivos ocultos e sinta-se cercado pela resposta — Seja envolvido pelo teu desejo e tua alegria será plena".
A oração do crente não deve ser enfraquecida por frases como "desejaria estar curado" ou "espero que aconteça", pois o sentimento de ausência reforça a carência. Pelo contrário, o desejo deve ser imaginado e sentido como realidade. A fé verdadeira é a persistência na suposição de que o desejo foi atendido.
B) Fé e a Lei da Atração Espiritual:
A parábola do grão de mostarda ("se vossa fé for do tamanho de um grão de mostarda e se disserem a essa montanha: 'Mova-se', ela se moverá") é o princípio holográfico em ação.
Para o crente, isso significa que a Lei da Atração (ou Criação Deliberada) não é uma técnica pagã, mas um princípio universal que Jesus dominou e ensinou:
- Você é o criador de sua própria experiência, e todo o poder reside no seu agora.
- O Universo tem a habilidade e os recursos para prover o resultado do seu desejo.
- Toda oração é respondida, sempre, sem exceção. A única coisa que impede a manifestação é a resistência (dúvida, medo, frustração).
Jesus nos convida a sermos Peneiradores Seletivos, escolhendo focar nas realidades que queremos repetir. O tempo de oração deve ser usado para mudar a emissão vibracional, parando de olhar para o que é e começando a ver as coisas como gostaríamos que elas fossem.
A vida de Jesus é o testemunho inegável de que o poder de Deus é liberado através da rendição e do alinhamento constante, permitindo que Sua vontade se cumpra em nós e através de nós, trazendo o futuro glorioso para o nosso presente.
A Dinâmica da Fé e a Manifestação (O Princípio Sobrenatural)
Até aqui, estabelecemos que a oração é, antes de tudo, um caminho de dependência e transformação, que nos torna mais semelhantes a Cristo e nos capacita ao discernimento e ao governo espiritual. Agora, devemos mergulhar no mecanismo pelo qual essa oração, feita em fé, se manifesta em nossa realidade física, transcendo o mero pedido e alcançando a criação deliberada.
Fé como Certeza e Antecipação
A fé, no contexto bíblico, é a certeza das coisas que se esperam e a convicção de fatos que se não veem. Ela não é um sentimento vago, mas uma certeza inabalável. Joseph Murphy, estudando as leis da mente, afirma que a fé é "um modo de pensar, uma atitude da mente, uma certeza interior, sabendo que a ideia aceita integralmente pela mente consciente será transmitida à mente subconsciente e concretizada".
Essa certeza interior manifesta-se como uma dinâmica de antecipação. O poder da oração reside no ato de tratar as coisas que não são como se já fossem. Quando Jesus afirmou que, se tivermos fé do tamanho de um grão de mostarda, podemos mover montanhas, Ele estava ativando o princípio universal que opera no subconsciente de todos os homens.
Para o crente, isso significa que:
- A oração já foi respondida: Todo desejo, toda oração, é imediatamente entendida e completamente ofertada pelo Não-Físico (o que podemos chamar de Gerente Universal).
- O trabalho do crente é a Permissão: A única razão pela qual a manifestação não ocorre instantaneamente é a resistência (dúvida, medo, frustração).
Portanto, orar eficazmente é acessar conscientemente a verdade inabalável de que a Palavra de Deus a nosso respeito vai acontecer. É parar de chamar as coisas como elas são e profetizar como elas serão, trazendo o futuro para o presente.
A Linguagem do Espírito: Sentimento e Alinhamento
A Matriz Divina — o campo de energia que conecta o universo e nos dá o poder de influenciar a matéria — responde à nossa consciência. Mas qual é o idioma reconhecido por essa Matriz, que é o recipiente do universo e a ponte entre o nosso mundo interior e o externo?
A nova ciência e as tradições místicas concordam: o sentimento é a linguagem que "fala" com a Matriz Divina. Precisamos nos sentir como se nossa meta já tivesse sido alcançada e nossa oração respondida.
As versões aramaicas dos Evangelhos instruíam o crente a: "Peca sem motivos ocultos e sinta-se cercado pela resposta — Seja envolvido pelo teu desejo e tua alegria será plena". Isso é fundamental:
- Evitar a Ausência: Se oramos insistentemente pelo que falta (cura, dinheiro, casamento), nossa vibração se alinha com a ausência desse desejo.
- Atingir o Alinhamento: O sucesso na oração depende da persistência na suposição de que o desejo foi atendido. Isso exige atingir um estado de plena convicção, liberando a resistência e alcançando o sentimento de alívio.
O exemplo prático dessa dinâmica é encontrado em diversas esferas, inclusive a médica. Em uma cirurgia complexa de coração, um cirurgião experimentou uma "mensagem" que se formou claramente em sua mente: Reduza a circunferência do anel. Essa solução cirúrgica foi transmitida ao assistente, e a operação foi bem-sucedida, demonstrando que a oração e a preparação anterior abriram o caminho para a orientação correta da Inteligência Infinita.
Dominando a Dúvida e a Resistência
A resistência é o único impedimento entre o pedido e a manifestação. A oração eficaz exige que se abandone o medo, a preocupação e o ciúme, pois esses pensamentos "arrebentam e destroem seus nervos e glândulas, trazendo doenças mentais e físicas".
A chave para vencer a resistência é a prática consciente do foco:
- O Poder do Foco: Nossa consciência é um ato de criação. O foco de nossa consciência se torna a realidade do nosso mundo. Se você constrói um corpo imperfeito com pensamentos de medo, raiva e ciúme, o único responsável é você mesmo.
- O Uso da Imaginação Disciplinada: O meio mais maravilhoso de obter resposta do subconsciente é através da imagem disciplinada ou científica. Quando você imagina um objetivo claramente, a sua mente subconsciente providencia o atendimento por meios que você ignora. Um jovem, por exemplo, alcançou seu sonho de ser médico ao imaginar, noite após noite, o diploma pendurado na parede. Isso é um processo de transposição, onde a mente consciente projeta o quadro mental no subconsciente, que é o meio criador.
- A Prática da Apreciação (Permissão): Uma das formas mais elevadas de liberar a resistência e praticar a "Arte da Permissão" é a apreciação. Quando você está no modo da apreciação, você estrutura sua frequência vibracional para ser o nível permissor do que você pediu. A apreciação é uma forma de alavancagem de atitude e vibração que, ao ser praticada, atrai o bem-estar para sua realidade.
A Síntese Inevitável: Fé e Razão
Muitos cristãos podem questionar a sobreposição entre a "lei da atração" e a fé bíblica. O caminho para a harmonia está na compreensão de que as leis do universo e do espírito, sejam elas descobertas pela ciência (BioLogos) ou pela revelação, procedem do mesmo Criador.
- O Design Inteligente: O estudo da natureza e do genoma humano revela uma complexidade e uma elegância que sugerem um Design. O Criador estabeleceu os parâmetros físicos do universo de forma muito precisa.
- A Universalidade do Princípio: Os princípios da Química, da Física e da Matemática não diferem dos princípios da sua mente subconsciente. Assim como a matéria se expande quando aquecida, é uma verdade universal que qualquer coisa que se imprima ao subconsciente vai se expressar no tempo e no espaço. A fé, portanto, é a Lei do Subconsciente em ação.
- O Perigo da Dúvida e do Medo: O medo (que, exceto pelo medo de cair e de barulho, é incutido pelos outros) é uma das maiores formas de resistência. O que se teme, muitas vezes, acontece. No entanto, nenhuma tragédia nos pode acontecer se decidirmos rezar, pois nada é predeterminado ou predestinado. Nossa atitude mental determina o nosso destino.
O Mestre Jesus, o Verbo (Logos) que se fez carne, foi o perfeito Mestre desse princípio. Ele demonstrou que a fé não é um salto no escuro, mas a cooperação consciente com a Lei da Vida. Seu poder era resultado de uma vida alinhada com a Inteligência Infinita que criou e sustenta todas as coisas.
O Desafio de Viver a Plenitude e o Poder Inevitável
Chegamos ao ponto crucial de nossa jornada: a oração, em sua forma mais pura, é o alinhamento consciente com a vontade e o poder de Deus, manifestando-se como certeza e antecipação. Não é um mero ritual, mas a própria vida.
O homem e a mulher de oração são aqueles que, como Jesus, o Mestre, modelaram uma vida de preparação e dependência. Esse caminho exige uma escolha diária: a de não vivermos na superfície da existência, mas de mergulharmos no silêncio para receber a orientação e a força necessárias.
O Alinhamento Inegociável
O poder de operar milagres reside em nosso subconsciente, que é a própria Lei da Fé. Para o cristão, isso significa que a oração eficaz exige que a mente consciente (nossa razão e vontade) e a mente subconsciente (nosso princípio criador) se unam harmoniosamente. Quando pensamos de forma correta, estamos em harmonia com a inteligência e o poder do subconsciente, que está sempre voltado para a vida.
A oração, portanto, deve ser um ato de Permissão:
- Parar de Chamar as Coisas Como Elas São: Precisamos parar de focar no que falta (que apenas reforça a ausência) e começar a profetizar como as coisas serão. O foco da nossa consciência é um ato de criação. O crente deve assumir o sentimento de que o desejo já foi satisfeito, pois o sentimento é a linguagem que fala com a Matriz Divina.
- Combater a Resistência (Dúvida e Medo): O único fator que impede o Bem-Estar e a manifestação dos pedidos é a resistência (dúvida, medo, frustração). Devemos ter fé inabalável no Princípio da Vida. O medo é um desejo de que o mal aconteça e é um pensamento repetido interminavelmente.
- Viver o Sentimento de Alívio: O objetivo prático da oração não é apenas pedir, mas subir na escala vibracional, buscando um sentimento melhor. O alívio é o indicador de que a resistência está sendo liberada, e que estamos no caminho de recepção. A maneira mais elevada de liberar a resistência é a apreciação, que alinha nossa frequência vibracional com o Bem-Estar.
A Defesa Racional da Fé
Para o crente, essa manifestação de poder não é mágica, mas a cooperação consciente com as leis de um Deus Criador que é Inteligência Infinita. O renomado geneticista Dr. Francis S. Collins atesta que a fé em Deus é uma opção completamente racional e que a ciência, ao desvendar a complexidade da vida, deveria aumentar nossa admiração pelo Criador.
A verdade é que a harmonia entre ciência e fé sustenta o fato de que a oração está alinhada com as leis universais que Deus estabeleceu. A vida, o Verbo (Logos), está sempre se renovando, é eterna e indestrutível.
O Chamado para a Plenitude
O poder da oração está sempre à sua disposição, uma fonte de sabedoria ilimitada e poder infinito. Você não precisa adquiri-lo, pois já o possui. Você deve apenas aprender a usá-lo.
Como o Mestre nos ensinou: o verdadeiro sucesso reside na paz de espírito. Quando você está em paz, feliz, alegre e fazendo o que gosta, você alcançou o sucesso.
Nenhuma tragédia ou desastre pode acontecer se decidirmos rezar, pois nada é predeterminado ou predestinado. Nossa atitude mental (como pensamos, sentimos e cremos) determina o nosso destino. O Senhor não é homem para que minta; se Ele disse que vai acontecer, no céu já acontece.
O desafio final é este: abandonar a posição de luta e as limitações autoimpostas, e viver na alegre expectativa do melhor.
Quanto mais profunda é a sua vida de oração, mais extraordinário vão ser os seus testemunhos. Abandone a passividade e faça agora a escolha de cooperar conscientemente com o poder infinito que governa todas as coisas. A terra natal da razão e da adoração acena para que todos os que buscam sinceramente a verdade venham e fixem residência. Atenda a esse chamado.
Fontes
- Video no YouTube: "ANDRÉ FERNANDES | O PODER DA ORAÇÃO": https://youtu.be/eykqj793bas?list=TLGG--9XfbWV5bgxMDEwMjAyNQ
- A Linguagem de Deus (Francis S. Collins)
- O Poder do Subconsciente (Joseph Murphy)
- O Caminho dos Essênios - A Vida Oculta de Jesus (Daniel Meurois-Givaudan e Anne^Meurois-Givaudan)
- Peça e lhe será Concedido (Esther e Jerry Hicks)
- A Matriz Divina (Gregg Braden)
- Vida Mística de Jesus (H. Spencer Lewis)
- "O Doce Poder da Oração": https://www.churchofjesuschrist.org/study/general-conference/2003/04/sweet-power-of-prayer?lang=por
- "O PODER DA ORAÇÃO": https://www.institutoivoti.com.br/noticia/o-poder-da-oracao-1